Albergue de Peregrinos
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Santiago - O que está por detrás da estrela oculta do apóstolo?
Uma viagem pela história por Jaume Cluet.
Adaptação e complementação Acacio da Paz.


O Deus Dionísios na Ruta.

A Ruta jacobea descorre entre navarra e galícia, mas em épocas pre-cristianas foi a antiga jacetania o portal deste Caminho de origem pagana. Em os nomes de Santiago e Jaca, subyace um significado comum que identifica a ambas cidades com o Deus Dionísios-Baco que os antigos vincularam a estrela Sirio.

A Ruta Jacobea culmina em Santiago de Compostela, mas, nos Pirineos se une outra cidade, Jaca, cuja sua importância desde a antiguidade, foi omitida no papel do Caminho. As causas residem a remoto de origem pagana desta ruta, e a comum raiz das palavras Santiago e Jaca de aparência distintas, mas idêntico significado: Laco/Baco, o Deus romano que sucedeu ao grego Dionísios.

A tradicáo cristiana sinala o Apostolo Santiago como o evangelizador da Península, mas as primitivas fontes históricas deixam bem claro que foram as primeiras comunidades da igreja norteafricana, ubicada dentro do império romano, que através de seus emissários os predicadores, realizaram tal trabalho. O mito do apóstolo, foi acima pelas costas galegas e as mil e umas proezas relatadas em outras tantas lendas que sáo puras mitologias. Outras sáo as razóes por as que existem enclaves mágicos como Jaca, Santiago de Compostela e outros aldeáos da Ruta Jacobea. Os origens de todos estes lugares se perdem ao passado, bastante mais atrás no tempo perdido, no momento da interrupçáo do cristianismo na antiga Hispania.

Que significado se esconde detrás do arquétipo “apóstolo Santiago” ?

O primeiro que caberia responder a essa pergunta é que se algo se esconde é porque resulta conveniente que permaneça oculto e, em todo caso, aquela parte fragmentada que está mais visível – em este caso a lenda de Santiago – nos é mostrada de uma forma distorcionada e devidamente manipulada, cumprindo a princípio do sincretismo e assimilaçáo, estratégias que já estamos fartos de serem usadas por todas as religióes ao largo da história para adaptar-las a novos planteamentos religiosos e teológicos.

Origem Pagã

O cristianismo, como fenômeno religioso mais recente na história do que temos notícias, náo desdenhou esta prática e náo somente transformou lugares paganos em cristianos, senáo que tbém adaptou panteones mitológicos inteiros como os transfigurou, em culto de santos. O apóstolo Santiago foi o resultado de uma dessas adaptaçóes.

Mas, que anterior deidade o mito se esconde detrás dele ?

A respostas esta mais a vista do que possa aparecer. Bastará descompor devidamente as sílabas desta forma: Sant - iago. Quedamo-nos com a útima parte : iago

É dizer que a este iago se o reconheceu como santo, coisa que a igreja fez infinidade de vezes, para apoderar-se de antigos deuses de outras religióes. Detrás do tal iago nos esconderam a figura de Laco o Lacchos, ao que aos gregos chamaram de Dionisios e os romanos de Baco. Sobre esta deidade, o cristianismos preocupou-se convenientemente de desvirtuar aquele pelo que era adorado. Este Deus gregoromano estava relacionado com as festas da ressureiçáo e por ende, da alegria, a esperança e as celebraçóes. Em estás náo podia faltar o vinho. Essência venerada na antiguidade que com cuja ingestáo pelo homens alteravam seus estado habitual de consciência, pelo que resultou fácilemnte desfigurar sua essência orignal, associando-a a embriagues e o desenfreno. Desta forma, Dionisios-Baco, se via desposseido de sua funçáo primigenita- a ressureiçáo e inmoralidade – para adjucar-lhe a duvidosa honra de ver-se constantemente involucrado em bacanais e cogorzas.

O novo esteriótipo de Santiago respondia, e responde até nossos dias, a um personagem típico do santoral cristiano, revestido de um halo de castidade, pureza, milagreria e até militarismo, totalmente longe a sua naturaleza original.

Sendo Dionisios-Baco o mítico deus da ressureiçáo, náo cabe dúvida que seu papel na sociedade de seu tempo, devendo ter sido muito mais importante e preminente do que nos foi mostrado até agora, donde aparece relegado a um papel quase humilhante e despreciativo, ao ver-se despovido pela nova religiáo daquelas funcionalidades por as que foi venerado.

Culto Dionisíaco

A influencia desta antiga religiáo se encontra recolhida em âmbito judeocristiano, já que tbém se reconhce sua presença nos territórios fenícios e palestinos. Assim sucede com a figura mística do patriarca judeu Jacobo, progenitor das doze tribos de Israel. A maior abundância, já em épocas remotas do Antigo Testamento, a figura do deus hebreo Yahvé era associada com Adonai-Dionisos. Este mesmo influxo ressurge na figura de Jesus no Novo Testamento, quando se auto-compara com a vital expressáo: “Beba, este é meu sangue.”

Na parábola cristiana o pai é um lavrador, sendo Cristo a vid e seus discípulos os sarmientos. Essa equiparaçáo entre Cristo, a vid e o produto que esta hemana – o vinho - , equivale a mesma que existia nos antigos Mistérios de Adonis, donde o vinho se associava a Baco ( Adonai ), como símbolo do masculino e o páo, a Ceres ( Venus ) como o femenino, evocando a penetraçáo do espírito vivificador (vinho), na matéria inerte ( pan ), em definitiva, com similitudes a atual celebraçáo da eucaristia cristiana. Assim era ensinado aos que eram iniciados neste culto.

Sirio, a estrela dupla

Nesta história náo podem faltar aquelos signos e sinais que o céu evidenciou aos olhos dos humanos ao largo dos tempos. Para o caso que nos ocupa, nos referiremos a constelaçáo de Orión e sua estrela Sirio, a que os gregos chamaram de Iako em honra a este Deus. A apariçáo desta constelaçáo no firmanento abarca uns cinquenta dias, desde a segunda metade de julho até meados de setembro, mes que coincide com a vendímia no ambito mediterrâneo. Seu advenimento marcava no passado a inundaçóes do rio Nilo no Egito, é dizer, a reapariçáo da vida e o fruto do esforço nos campos de cultivo. As principais caracteristicas de Sirio sáo que se trata de uma estrela dupla e que é a mais cerca da terra, de forma que é a mais brilhante e perceptível nos hemisferios estelares. Assim mesmo, sua apariçáo coincide com a festividade do santo patrón, no 25 de Julho. Assim é como o Ano Santo Compostelano rememora o resplendor ígneo solar, ao sincronizar a festividade com a jornada dominical.

Na figura de Baco-Dionisios, se concentrava no passado, a esperança dos seres humanos em uma melhor vida futura. Este arquetipo e recolhido em templo de Delfos, donde Dionisios morava junto a Apolo, o Deus supremos da luz solar. Mediante aos ritos dionisíacos, posteriormente reformados pelo orfismo, o iniciado pretendia liberar sua alma da cárce da carne, através do símbolo da estrela portadora de luz (Sírio). Desta forma, se reconheceu a Baco-Dionisios, como o Deus-Rey, prototipo da imortalidade através de sua própria paixáo, morte e ressureiçáo.

Este culto chegou a abarcar todo o âmbito gregoromano; posteriormente, com o advenimento do cristianismo, seus conceitos básicos, significado e simbolismo ficaram absorbidos e transfigurados pela figura de JesusCristo e seus discípulos.

Jaca, O Portal Iniciático

Na atualidade, corresponde a Roncesavalles, em navarra, a honra de ser o portal de início do caminho de Santiago em españa, em detrimento do muito mais antigo, ancestral e transcedente, que foi Jaca, capital da antiga Jacetania ( hoje Serrablo ). Este tramo aragonês que confluia em Puente la Reina é tbém conhecido como o caminho da vida , em contraposiçáo ao tramo Navarro, conhecido como o caminho da morte . Foi aquí em Jaca, a antiga Iak o lacca ( ver a notoria similitude com o iago-iacco santiagués ), donde assentaria sua primigenia capital histórica do reino de Aragón, cabeceira do antigo território íbero dos iaketani o iaccetani, denominaçáo assinada pelo romanos a este povo, e reflexada como vestígio nas moedas íberas acunhadas ali por volta do século II a.C.

Santiago, campo das estrelas

As crônicas do ano 813 contam como o ancorreta Pelagio chegou a observar, durante vários dias, umas luzes ou um resplendor de estrelas sobre o antigo castro celta de Amaia, que com o tempo se convertiria em a atual Compostela. Narram tbém essas crônicas como o bispo Teodomiro de Iria Flavia mandou escavar o lugar e nele, foram encontradas diversas tumbas que foram reconhecidas como pertencentes do apóstolo Santiago e seus discípulos.

Quando o rei Alfonso II o casto teve noticias, fez participar do acontecimento o Papa León III e ao imperador Carlomagno. Sobre o emplazamento se originaram tres pequenas igrejas dedicadas a Santiago, San Juan Bautistae San Paio de Entrealtares, esta última regida por uma comunidade de benedictinos que se encarregaram da custódia das santas relíguias. Em esta época quando surge a famosa Lenda Dourada a que se descreve a chegada do apóstolo a terras hispanicas e seu posterior retôrno a Palestina , donde é decapitado por Herodes Agripa, e a pós viagem de seus restos, embarcados em uma barca pétrea que chegam milgrosamente as costas galegas de Padrón ( Iria Flavia ), para receber sepultura Compostela.

Se trata de uma lenda coerente com outras que inventou a igreja, mas historicamente no encaixa em nenhuma cronologia. Ninhum crnista hispano da época anterior ao século IX menciona esta sucessáo de acontecimentos. Em cambio, sim encontramos referencias do culto a santiago, muito mais antigos, em textos bizantinos e orientais que se remontariam ao século IV, em os quais, curiosamente, náo se reflexa dos fatos antes descritos.

Textos como o Beato de Liébana contribuem a expansáo da lenda, mais além das terras peninsulares. Ele serviu para coesionar os reinos hispanicos do norte frente a invasáo mulsumana. Constituido e divulgado em mito, este há persistido até nossos dias em forma de lenda, mas está ampliamente aceitado, incluso por setores da própria igreja, que resulta do tudo é improvável que os restos que se falam em Compostela pertença ao apóstolo. O conteúdo da Arca Marmórica responde, com guase total segurança, aos restos dos primeiros emissários ou predicadores cristianos, que deveriam chegar até Galícia desde o Sul da antiga Hispania, pelo séculos IV e V, através da tbém ancestral via de la plata, que unia a Bética com a atual Galícia.

Mas, todo isso, náo deve apartar-nos das investigaçóes realizadas por historiadores e buscadores como A.Ubieto com sua introduçáo a História de España, ou J. Parellada com sua magnífica obra Reinos perdidos e chaves secretas; e Rafael de Alarón em seu livro A la sombra de los templarios, donde todos estes fanstásticos estudiosos relacionam a figura de Santiago com antigas figuras mitológicas e cultos ligados a veneraçáo de Júpiter, Iaco-Baco ou Dionísios.

A ruta jacobea - A mensagem espiritual

Através da presente análise compravamos como um extenso sincretismo histórico, legendário e astronômico é foi ele que permitiu configurar a figura do apóstolo Santiago, chegando a produzir uma síntese global que chega a abarcar tanto as pretendias relíguias dos primeiros predicadroes cristianos em território hispano, como o memorável recordo do mártir cristiano-gnóstico Prisciliano, assim como a enclosáo gremial dos desconhecidos maestros cosntrutores (jacques-jakin-jack) do romanico e o gótico, que espalharam suas obras de conotaçóes herméticas ao largo da Ruta Jacobea. Sem esquecer da aportaçáo das influências de iberos e celtas, quem a sua vez, tbém tiveram que assimilar tradiçóes mais ancestrais, táo presentes em petroglifos, algumas de inescrutável significado, muito frequentes nas costas galegas, ricas em tradiçóes noélicas ( referente ao mito do dilúvio universal).

Ao mesmo tempo que nos cultos dionisíacos falamos alegrias tais como o da estrela Alpha Canis Sirio na constelaçáo de Orión, representaáo celeste do laco o Dionisios, da época grecoromana, anterior a penetraçáo do cristianismo em solo peninsular.

A dualidade nos pares opostos ( Sirio-Ceres o Venus ), os mensagens de morte física e renascer espiritual, as provas iniciáticas, etc. foram, ademais, a ante-sala que posteriormente dita passo a lenda do Santo Grial – táo ligada as comarcas do Alto Aragón da antiga Jacetania- , versáo crística que todoas esas míticas epopéias que se transformaram em um novo arquétipo do cristianismo. Estas sáo somente algumas das pistas e indicaçóes que estáo incrustados e, porque náo ser dito, escondidas nesta antiquíssima Rota Jacobea que descorrre entre a antiga Jaca, até o Finis Terrae gelego.

Tudo isso está cripticamente inscrito em , essa comum raiz léxica de iago-iako, que nos evoca, um caminho – A Ruta Jacbea , de superaçáo e regeneraçáo espiritual, e uma mensagem de esperança para a alma humana, em vista a aceder a patria celestial ou a mítica Jerusalém celeste dentro do argot propriamente cristiano. É assim como no ano de 1985 a UNESCO declarou a cidade de Santiago de Compostela Patrimonio da Humanidade como Primeiro Intinerário Cultural Europeo.

A catedral de Santiago, destino final da atual peregrinagem, uma tradiçáo que remonta suas origens a época pré-cristiana.

Mandalas nos Pirineos

Um dos rasgos arquitetônicos que ocorrem na catedral de romância de Jaca, a mais antiga em território peninsular ( seculo X ), é seu famoso cirsmón, de idênticas conotaçóes e aspecto aos conhecidos mandalas orientais. Surgido da interseçáo das letras gregas X e P ( Ji e Ro ) e cito sobre a entrada do edifício, é muito indentificativo a catedral jaquesa, ainda que náo é o único que podemos falar da Ruta Jacobea, pois tbém há um no monastério de San Juan de la Peña ( muito ligado a lenda do Graal ), Santa Cruz de Serós, Leire o Puente la Reina entre outros, somente por citar os situados em âmbito territorial jacetano. Mas os crismones ou monogramas de aparência mandálica, se unem em infinidade de edifícios religiosos românicos ou góticos. Este símbolo, adaptado pelo cristianismo, é a representaçáo laberínticas do primigenito Deus Ares-Dionisios. Relacionado com o arquétipo mito do labirinto, se encontra a si mesmo associado com divindades siderais e telúricas, táo comum nas antigas civilizaçóes. Recorrer este labirinto é realizar uma espécie de peregrinaçáo interior, cujo mensagem criptico foi amplamente reflexado pelos mestres construtores, em especial pelo famoso Maestro de Jaca o maestro Jakin (ioakin), cuja identidade continua sendo um mistério. Este Jakin deve ter sido o protótipo do sábio e mestre construtor, uma espécie de título autorgado aos que se iniciavam nesta arte, como o foi assim mesmo o Mestre Mateo da catedral de Santiago de Compostela. A raiz jak nos permite identificar o santo padrón santiagues. O mesmo Códice Calixtino menciona a adoraçáo ao apóstolo e terras vasco-navarras com o apelativo da leoa – domme Jacue. Esta mesma raiz é a que perviveu na santorial europeo: Jacme en occitano, Jaume en catalán, Jaime em castellano e portugues.

James em ingles, Jacques em frances ou Jakob em alemáo.

Y todos descenderam aos infernos...

Entre as mais notórias religióes do mundo se falam reflexados diversos e comuns episódios que relatam o descenso aos infra-mundos de seus míticos protagonistas: Heracles, Asciepio Orfeo, Osiris, Jesuscristo ou o próprio Baco. Trás este descenso, sobrevive sistematicamente e em todos eles a ressureiçáo, que tbém acaece invariavelmente, ao terceiro dia da morte física que acompanha a táo iniciática experiência.

Assim o descreve Aristófanes quando Heracles, em compania de Baco o laco ( o nascido duas vezes ou re-nascido ), sáo recebidos com tochas asesas rememorando o despertar ou renascimento de mais nova e luminosa vida, tras superar ao mundo da morte e das trevas.

A Iaco-Baco-Dionisios se considera como o portador da tocha que iluminava este passo desde a náo-vida até o renascer ao estar vinculado com a luz e o fogo. Na Antígona de Sófocles, um coro o invoca descrevendo-lhe como o chefe da ronda das estrelas que esparcen o fogo, ao tratar de salvar a Tebas. Em um vaso grego do seculo VI a.C., se lê designa como Dios Phos ou Luz de Zeus ( Jupiter ). Em Cnosos ( cultura minoica ), surge pela primeira vez o nome de lacos com a epígrefe de Iwa-ko, associado a palavra Iakar em referencia a estrela Sirio. Esta estrela é descrita por Homero como el can de Orión. Sirio é pois o Alpha Canis da constelaçáo do Grande Caçador e Orión. Pindaro descreveu como a luz do estio, que promete os frutos terrestres das vinhas verdes que convergem com a alegria dionisíaca. Essa vid, de natureza ígnea, madura gracias a intervençáo do Sol, de forma que Arquíloco define a Dionísios-Baco-Iako como o Deus 10 do Monte Nis; O tocado pelo raio do vinho.


 
Enviado por Acácio da Paz
 
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