Albergue de Peregrinos
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O Jogo da Oca - Parte III
Acácio da Paz
Eu náo pretendo que o que escrevo seja demonstrado como uma verdade, e nem que os poucos fatos que pude reunir sejam suficientes para obter uma convicçáo. Existiram antes da história, homens que possuiram uma ciência suma, principalmente que concerne com a natureza, a terra o céu e o homem. Nega-lo seria táo absurdo como pretender que as pirâmides náo sáo mais do que manifestaçóes megalomaníacas, ou Chartres um monumento de supertisáo.
Eu fui buscar dados, náo este saber ( náo estou preparado para isso), senáo alguns meios de informaçóes para transmitir o que tanto me move. Tudo isso no caminho de santiago, que é para mim a grande Universidade da Idade Media e tanto ainda tem que ser transmitido: o verdadeiro caminho de Compostela.

Vivemos em uma época da escritura, é dizer: quando o conhecimento é substituido por uma certa forma de saber-memória- existe o perigro – segundo Platáo: os homens temen a escritura por algo que falam e que é capaz de substituir o conhecimento....

La loba LUG e a OCA

No fim da Via Láctea está a constelaçáo do Cáo Maior.

Quando tentavam cristanizar as antigas lendas do Caminho de Galicia, foi uma rainha LOBA ( Louve) quem recebe os restos de Santiago. Isto tem seu significado. Para deslizar uma lenda popular de uma época a outra é recomendável manter a conversa com os mesmos nomes habituais.

Quando a Igreja tentou fazer desaparecer a Gargán, inventou um San Gorgón para tomar posse dos lugares sagrados. Foi geralmente um San Lu quem substituiu a LUG.

Esta rainha Louve, que as vezes tentam identificá-la com um Lobo talvez histórico, reinava na provincia de Lugo, feudo dos Deuses de LUG, que pronunciava-se como em frances LOU, como atualmente na Irlanda.

Houve uma época em que Lug-Lou identificou-se com Lupus-Lobo. Louve, que sem dúvida foi uma Lusine, converteu-se em uma Loba.

Encontramo-nos uma vez na familia com o Cáo Maior da Via Láctea. A Loba quem recebe a Santiago... E toda a lenda primitiva encontrou-se cristanizada. O cachorro transformou-se em Lobo...E está perdurado até nossos dias.

Detrás desta Louve, evidentemente está Lug, náo o Deus, no sentido em que era usado os cristáos, senáo pelo sentido de “Patrono”; Lug, “o patrono” dos ingenhosos; aqueles que possuem uma certa amplitude em utilizar ingeniosamente materiais e forças terrestres; concepçáo certamente herdada pela raça ligures. Normalmente qualquer ingenhoso tem um interesse de buscar donde queira que se manifeste, a ajuda das açóes telúricas apropriadas.

Lug sem dúvida, também foi um Deus da raça dos ligures, na época em que o ocidente inteiro estava populado por toda esta raça, antes da invasáo dos celtas e a ascensáo dos íberos; estes ligures trataram de enfrentar Hércules na a Crau e cujos sobreviventes ao cataclismo receberam aos sábios marinhos do ocidente atlántico...

Náo foram os celtas quem introduziu Lug na Espanha.

No centro da França, pintaram uma espiral .(¿)

Mitos “ A OCA “

E tal como era de se esperar, no caminho de Lug encontramos a Oca: a Oca em duas formas lingüísticas:

1) a mais antiga, a que persiste no frances e cuja origem é pre-indoeuropeo: Oie, Auch, Ouche e que na Espanha há dado o lugar a “Oca”, que quase já náo existe mais a náo ser na toponímia;

2) a forma indo-europea, derivada do sancristo Hamsa, e que há dado lugar a “ganso e gansa”, incluso Ansa e Anso.
Na pais vasco – sempre voltaremos ao pais vasco quando fala-se de caminho de Compostela – descobre-se igualmente as duas formas:

1) o grito para chamar as “ Ocas “: ¡ Auk, Auk ¡ e em Antzara, que parece derivado de Hamsa. E estas Ocas encontramos ao largo de todo o caminho.

Descifrar o “ O Mito da Oca “ seria induvidavelmente a melhor operaçáo histórica possível, mas, pelo respeito a este mito e as suas histórias; que sáo numerosas; as aclaraçóes que sáo encontradas tornam-se muito confusas, bem que elas desprendem indicaçóes próximas com a verdade.

Talvez náo se trate, falando com propriedade, da oca tal como conhecemos, senáo mais bem um palpite, pois tanto a Oca pode ser um Cisne; este aparece na maior parte dos casos como uma personificaçáo do macho da oca simbólica: o cisne Júpiter dando a luz em Leda-oca aos Dióscuros e a Helena, a força, a inteligência e a beleza; o mítico rei dos celtas: Cygnus; os filhos de Lir transformados em cisne e desafiando os ataques do tempo, cujos cantos eram soberanamente belos.

O Mito:

A Oca desempenha um grande papel na mitologia faraônica. No hieróglifo de Geb, herdero do trono de Horus, representada por uma oca e uma perna. No dicionário dos símbolos conta que, quando os faraós foram identificados com o sol, sua alma foi representada em forma de uma oca, já que a oca é o sol que sai do ovo primitivo. As ocas eram consideradas como mensageiras entre o céu e a terra. Quando um adivinho de um novo rei era anunciado, entre outras cerimonias; soltavam 4 ocas aos quatro pontos cardeais.

No Altai, no ritual de sacrifício do cavalo, o xamán tem como montura uma oca para perseguir a alma do cavalo; e uma oca lhe serve também como montura para o seu regresso aos infernos.

Entre os celtas, a oca – o cisne – era um mensageiro do outro mundo. Para os bretones era um alimento proibído.

Em qualquer lugar e em qualquer mitologia a que pertença, notamos que a oca era um símbolo que reflexa a um iniciado; e a antiguidade deste símbolo é muito grande .

Representaçáo:

A própria oca é simbolizada generalmente pela sua pata, o qual é normal já que este é seu principal signo distintivo. Estilizado e dirigido até abaixo, reduz-se a tres traços divergentes, unidos ou náo na cúspide; e este signo foi um dos símbolos de ensino dos druídas.

Estilizado e dirigido para cima, representa o tridente que é a arma de Poseidón, o Deus da raça Atlântida, o Deus marinho que os latinos converteram em Netuno.

Unidos estes dois signos pela cúspide, dáo como resultado uma estrela de seis pontas que converteu-se no crismon dos primeiros construtores cristáos e os sacerdotes fizeram uma espécie de anagrama de Cristo.

Assim mesmo é bastante provável que a flor-de-liz original fora este tridente de Poseidón, adaptada pelos reis francos por razóes políticas análogas aos que fizeram adotar o crismon a Constantino, “ cubriendo el palio la mercancía” . Adota-se sem vergonha os signos adaptado, representando; fácil enobrecimento...

Histórica:

Ainda que o simbolismo cristáo tenha de fato desaparecido pouco a pouco este signo da oca: o tarso palmeado, náo por ele, mas deixará de perdurar durante muito tempo, já que construtores pirenaicos o escreviam todavía no séc: XVIII (como marca segrecacionista).

Parece que realmente é este signo que está gravado em alguns capiteles da abadía de Leyre, no caminho de Compostela. O descobrimos também em essa Reina Pedauque ( pata de oca ), com o mesmo valor de signo iniciático.

Tudo indica que a Reina Pedauque é originária da regiáo de Toulosse, o qual é normal pois, detrás das grandes invasóes bárbaras talvez inclusive antes, náo existe no Ocidente mais do que um só caminho iniciático, e a totalidade da tradiçáo está concentrada nos Pirineos e ao largo da Costa Cantábrica...

O estilo visigótico é ele dos construtores pirenaícos, e a pata de oca converteu-se na concha de Santiago, adornada com flores com pingos de helenismo devido aos clérigos, guando a significaçáo pagá havia-se perdido.

Náo obstante era difícil de recuperar oficialmente a pata de oca como signo. Assim, foi transformada ainda náo demasiado. Converteu-se na concha, a concha de Santiago, acompanhada de uma bela lenda.

É divertido comprovar que a concha de Santiago leva, como diziam, o nome popular de merelle , que pode ser como o diminutivo de máe, mas o que consta ser o nome de um povoado situado nas rías. Muito perto de Noya, donde desembarcou Noé, e cerca de Iria Flávia, onde desembarcou Santiago.
Mas é um fato que a concha de Santiago tem certa aparência de uma pata palmeada.

Coincidências ou náo:

Na regiáo de Jaca, origem do caminho, temos assim Ansó, no vale de Ansó; náo muito longe do lugar estrelado, o quartel de Lizarra. Voltamos a encontrar-lo de novo na denominaçáo de dois cursos de água, que levam seu nome: O rio Oja, que Alfredo Gil del Rio crê que primitivamente era o rio Oca, e que foi dado seu nome a la Rioja; logo outro rio Oca, em os Montes de Oca, donde encontra-se um Pico de la Piedraja que bem parece ser “ Piedra del Jars ( ganso )”, náo muito longe de um Ócon, o qual resulta bastante expressivo.

Está também os montes de Leon, imediatamente ao oeste de Astorga, em El Ganso, um jars ligur traducido por indoeuropeus.

Náo sei todavía se é este jars que tenho que encontrar no povoado de Argozón, cerca de Chantada, donde se encontra uma assombrosa necrópoles céltica, mas é certamente a oca o que encontramos outra vez na ruta de Lalín a Compostela no el Paso de la Oca , que conduz ainda, menos a Compostela que ao Pico Sacro, a montanha sagrada que , según algumas lendas, foi a primeira sepultura do apóstolo Santiago.

Do outro lado de Compostela encontra-se por outra parte, outra Oca, no rio Tambre, o qual desemboca precisamente na ria de Noya e banha as mediaçóes do monte Aro.

Pois bem, esses lugares da Oca estáo comprendidos todos em um caminho delimitado por duas fileiras de estrelas. O caminho da Oca coincide muito exatamente com o caminho das estrelas, marcado ao largo desta ruta compostelar, por onde se marcha a peregrinaçáo desde milhares de anos, com monumentos megalíticos entre os que estáo o domen mais grande da regiáo pirenaica, o de El Villar , na província de Alava.

Temos aquí enfrentados com as Estrelas que sáo assuntos de super-homem , de gigantes ( Géants ), de Juanes ( Jeans ), talvez aviadores, talvez cosmonautas, sem dúvida Atlantis, mas em todo caso infinitamente sábios...

Com os “ligianos”, espécie de demiurgos ( como término no sentido grego) , transformadores da materia, gentes que sabem “tirar o mel da pedra”, segundo a expressáo de Sáo Bernardo...

Com os fervores da Oca, os jars (ansares), os manuais, trabalhadores com a madeira, da pedra e do metal...

Todos situados neste caminho até ao Oeste, por onde passam realmente as portas, os desfiladeros estreitos desta ruta iniciática, que os conduz até cavalgar a égua que os guarda nas margens das rias atlánticas, quando tenham assimilado os signos que foram gravados para eles nas rochas sagradas de Galicia. Com a perda de sua vida em favor de outro nascimento.

NOTA: para os amantes do folclore esotérico a quem este velho Lug hoje incomodaria: A Via Láctea era também chamada na Irlanda de :
“ O desdobramento do arco-iris de Lugh, ou também: a formosura de Lugh”...

?Eu náo creio que tenham abandonado o signo da Oca...é precisamente nos Pirineos, construtores segregados que impuzeram no Séc XII, o porte deste signo, uma pata de oca cosida a sua vestida de “santurrones” de “cagots”.

Sáo cristáos estes obreros manuais(artesáos)? Sem dúvida, sáo de algum modo, na medida em que a simbologia cristá parece-se a mesma, pela cruz , o sacrifício e o renascimento... E se é inventado Santiago porque sáo jars (ansares), sectários da Oca (término que em França foi dado lugar a “gars” e provavelmente é um término equivalente em céltico, já que no País de Gales foi dado o nome a “Gwas”). Santiago (Saint-Jacques) ocupa o lugar do “Maestro Jars”, o muito sabio: Jakin. Sua perenidade a deve ao fato de que as montanhas protegem a rota jacobea. As montanhas e os montanheses. Nesse caminho sáo homens livres, primeira condiçáo da uma iniciaçáo.

Roma somente pode preservar suas comunicaçóes; os “suevos” que chegam até a Galicia, evitam também o caminho como haviam feito os celtas. O visigodo Leovigildo se estrela nele mesmo e consegue destruir um cidade Santa: Varia, que alguns creem ser Aregia ; Carlomagno, que toma por caminhos defendidos, perde nele sua retaguarda...

Entáo, para cristianizar-los, se cria uma charmosa lenda, uma lenda cristiana, táo parecida como seja possível a lenda tradicional, conservando símbolos e tótems.

Historicamente, Santiago é um engano. Náo para os “Jacques”, posto que as tradiçóes sáo respeitadas. O Patrono Jacques converte-se em Patrón de Santiago.

Desembarca onde tem que desembarcar. Como um marinho, na costa do Ocidente, ao término do caminho das estrelas, ao final da Via Láctea, ali donde se encontra a Cáo Mayor, acaso em sua suposta predicaçáo, Santiago náo está acompanhado de um cáo?

Um cáo? Mas , acaso náo é em sua forma de lobo, o tótem até hoje todavía existe, os Filhos do Maestro Jacques, atualmente Compagnons Passants de Devoir.

O maestro Jacques é um homem da pedra, e , quando coloca-se o cadáver de Santiago sobre uma pedra, esta se afunda por sí mesma convertendo-se em um sacórfago natural; milagroso talhador de pedra. E sobre sua tumba instala-se a estrela, a estrela última do caminho das Estrelas, do caminho iniciático, da Via Láctea.
Santiago converte-se assim em “mágister”.

Sabemos que todas as lendas cristianas procedem dos monastérios, e mais especialmente dos monasterios beneditinos; ahora bem, os beneditinos sáo os herdeiros diretos dos pontícies romanos; outorgam incluso o grau de “Pontifex Maximus” ( os mais grande dos construtores de pontes) ao Papa.

Apêndice:

Os lugares que levam o nome da Oca ou de Ganso sáo numerosos em França. Estas duas palavras sáo anteriores ao indoeuropeo; sua raiz é ligur. Náo cabe supor que estes nomes designam lugares donde se criavam as Ocas, lugares que podem ser descobertos tanto em montanhas povoadas de árvores como as terras planas ( llanuras ). Pela mesma razáo, jars (ganso) náo pode ser um derivado de jardim el gard céltico. O término náo poderia adaptar-se as inumeráveis passagem dos jars , famosos passo dos Jars, que com frequência designam lugares escarpados donde os jardins estariam tal mal situados como a criaçáo das ocas.

A relaçáo entre Jars e Jacques pode náo resultar evidências: no en tanto, deduz-se de uma massa de pequenos fatos cuja acumulaçáo termina em constituir uma probabilidade. Significativo por exemplo, que os campesinos sáo chamados de Jacques e, ao mesmo tempo tradicionalmente; pedzouilles ( paletos ), patas de oca.

O tarot:

Os peregrinos possuem, generalmente, um bastáo, mas, tradicionalmente o bastáo ou vara de medir - , era levado pelos mestres de obras; e atualmente todavía, pelos companheiros, a cane ( a cana ).

A primeira ordem de cavalaria criada para proteger a ruta de peregrinaçáo foi a Ordem de Santiago, chamada “Santiago de la Espada.”

Em San Juan de la Peña, havia uma copa chamada de Grial ( Graal ), mas é uma forma de uma marmita ou um caldero como encontra-se este símbolo em todo o largo do caminho.

Por útlimo em certos escudos, junto as marmitas descobrem-se, movéis heráldicos, uns besantes; também encontram-se presentes em os escudos de certas possessóes templárias, como em Ponferrada.

Encontraram, em presença de um Santiago de bastáo ( bastos ), de um Santiago de la Espada, de um Santiago de la Copa e de um Santiago de los Dinheiros ( ouros ).

O Jogo

Os quatro paus, do jogo do Tarot.

Os Tarot, é um jogo de naipes praticado ainda na España e no Franco Condado. Neste jogo tem duas partes; por um lado, o jogo propriamente dito em que cada naipe comprende rei, rainha, cavalo e cavaleiros e criado o sota, mais dez cartas numeradas de um a dez.

A outra parte, com a que náo se joga, é infinitamente mais misteriosa. Compóem-se de 21 lâminas numeradas e uma sem número.

Estas lâminas parecem relativamente recentes, posto que náo aparecem até o sec.XIV, e náo somente em um jogo que afirmam-se que foi inventado para Carlos VI de França, se náo também como motivos decorativos em os pórticos das catedrais, o qual permite supor que era concedido um alcance maior que uma simples distraçáo ao admirá-la.

O fato que os quatro “naipes” volta a encontrar-se com os quatros símbolos das atividades do caminho de santiago que induz a pensar que este jogo, imitado de outros anteriores, foi criado nesta ruta....e sem dúvida, o objeto de permitir acrescentar as “lâminas”, o que parece que incluem as sucessivas explicaçóes de um ensinamento que náo podia ser dada de outra maneira. Ocorre que,no fim do séc.XIII, a inquisiçáo , que havia sido criada, antes de tudo, pôr e para a Ordem dominicana com o objetivo de “combater” a heregia cátara , aficcionados ao terror e ao poder que deste se derivava, e dedicavam-se a perseguir todo aquele que náo se ajustava a sua própria concepçáo do cristianismo, é evidente que os rituais e os segredos dos “companheiros”, náo se ajustavam, precisamente.

Por outra parte, quando Felipe o “ Charmoso” havia suprimido as franquias concedidas por San Luis aos construtores. Por outro motivo, as hermandades tiveram que regressar a clandestinidade. A proteçáo que haviam podido brindar a Ordem de San Juan de Jerusalém, os que herdaram os bens do Temple, que náo podiam ser suficientes, salvo gremialmente, mas os obreiros de San Juan que náo eram irmáos do ofício senáo servidores. É evidente que as Ordens náo tinham a mesma missáo.

A criaçáo de uma mensagem iniciática, compreensível somente para os iniciados, reduzidos a uma série de hieróglifos que pode, por tanto, ser defundido sem perigro, já que nada pode estar convencido de compreender-lo, náo parece já entáo extraordinário ( e sem dúvida este é o caso das profecias de Nostradamus)... E incluso podem-se gavrar as imagens em os pórticos das igrejas...

Para os demais, o nome primitivo do Tarot é “ Tarot dos imagináros” todo isto tinha que despertar a suspeita, já que os imaginários, na Idade Média, sáo aqueles que cinzelam as imágens do tímpano dos pórticos e dos capiteles das catedrais... E que, no sec.XIV, começaram a introduzir neles (capiteles ) as imagens do tarots.

Muitos autores trataram de decifrar o Tarot. Mas parece que nenhum tenha consequido. Náo sei se o atual “ Compagnons des Devoirs” pode faze-lo...

No sec. XIX, em certos meios “ocultistas” e “orientalistas”, despertou-se um enorme entusiasmo na Kabbala judia (vista por semi-hebraizantes); como resultava que os tarots, possuiam 22 lâminas maiores, e dado que existiam 22 letras hebraícas, cabia a tentaçáo de assimilar cada lâmina ( chamada de arcano na mesma época ) há uma letra. E assim foi feito...

Depois deste fato fizeram elecubraçóes sobre estas lâminas, essas letras e esses símbolos... Era a época da grande bruxaria filosófica que, mas; e que nunca demonstrou-se em absoluto claramente bruxa filosófica.

Deste fato resulta-se com as evidências que o Tarot nada tem haver com a kabbala. O Tarot ;É cristiano, por ter uma lâmina que representa o Papa... e náo muito ortodoxo, dado que o Papa está acrescentado com a Papisa. Nada tem que ver com o judaísmo, que, no aspecto religioso, náo haveria tido nenhuma relaçáo com a imperatriz...

Por em cima de tudo me parece que tem um aspecto simbólico de um animismo muito evolucionado...o qual é normal para pessoas que cuja Soberana Grande Máe é a Natureza.

A primeira lâmina é o Prestidigitador.

Naturalmente, para a significaçáo da palavra, se evitou recorrer a etmologia primitiva, e se foi aceitado de entrada o sentido que possui desde o sec.XVI: “o que faz truques”.

Agora bem, a palavra vem de “batel”, de bat, que foi dado o lugar a bastón, mas também construçáo ( bâtiment ), obra ( bâtisse ). Este prestidigitador é nada mais que um construtor...E no tarot de Marsella o vemos, mostrando seu bastón, levando o dinheiro, entretanto sobre a mesa – o banco – aparecem, ao lado dos dados, a faca-espada e a copa.

O Jogo está declarado. O prestidigitador é o construtor em um caminho inciático.

Logo depois vem o Papa. O Papa é o Pontífice Máximo, é o maior dos construtores de pontes. Seu é o bastón triplemente mitrado e a Copa, que é um cálice.

O Imperador representa o Poder. Seu é a espada e o Dinheiro, o dinheiro que é o imperium, uma delegaçáo de Poder.

Imagino que a Papisa e a Imperatriz sáo repetiçáo do Papa e o Imperador, aspecto invertido de sí mesmo, complemento necessário em o mundo humano.

Logo ( náo sigo a ordem habitual ), as quatro virtudes alquímicas, que encontramos outra vez em torna da tumba de Francisco II de Bretanha na Catedral de Nantes, e as de que Fulcanelli deu, nas moradas filosofais, uma exégesis sobre a que náo podia voltar: A Força, A Justiça, A Moderaçáo e, ma forma do Ermitáo; A Prudência, que náo se ilumina com um espelho, senáo como um farol.
O Ermitáo, evidentemente...

Seguem outras lâminas, que náo foi possível de ser analizada de um modo válido, mas que devem referir-se a um passo iniciático: O Enamorado e o Carro.

Logo vem a Roda da Fortuna, em que uns macacos passam, quando esta gira, desde a cúspide até a caída. Seu simbolismo primitivo é fácilmente legível.. O que ainda náo sabe-se nada é sobre os macacos, para designar o patrono, é um término de origem campañeril.

A Torre fulminada, chamada “Maison-Dieu”, poderia representar a torre de Babel, os construtores da qual viram-se obrigados a dispersar-se, pois haviam deixado de compreender-se entre sí ( o qual ocorreu durante a construçáo do templo de Salomáo, gracias ao emprego de signos universais facilidados aos obreiros).

Vem a continuaçáo a Morte, seguida ou procedida pelo Colgado. Colgado pelos pés, é dizer; que o trânsito pela morte é o renascimento inciático, “invertido” a visáo do mundo para o iniciado.

Vem logo o “Baphomet”, chamado O Diabo. Símbolo alquímico que tanto se foi jogado em cara aos templários.

A Estrela; para os demais, há um céu de estrelas, sem dúvida é o caminho das estrelas, A Lua; ao borde da água, os cachorros que ladráo a Lua, dois cachorros ou lobos...Na água encontra-se Câncer, na forma clássica de um carangueijo. Agora bem, O Sol encontra-se na constelaçáo de Câncer em Julho ( no plano astronômico, náo no astrológico), é dizer; o mes das reunióes de peregrinos em Galícia. A Lua parece derramar seus favores sobre os dois animais.

O Sol, por sua parte, ilumina a dois gemeos, símbolo de uma hermandade como pudera ser a do Temple...

Segue a continuaçáo o Julgamento, com um anjo portando uma trompeta, e finalmente, o Prestidigitador transfigurado, reconhecível porque tem sua vara de máo explicitamente vitorioso dentro de uma aureola rodeada pelos símbolos dos quatro Evangelistas ( que sáo também os símbolos dos quatro elementos ).

Por último, chegamos a última carta, náo numerada, no certo modo recusado, O Mat, que talvez seja o Louco, perseguido por um cachorro...O Expulsado. Este náo forma parte do jogo.

Nada mais a dizer, pois somente este tema foi tocado ligeiramente..que por sua vez é mais fácil. Fica muito a descobrir o verdadeiro ensino do desconhecido mistério de Compostela.

Próximo tema : “O Labirinto” - Caminho de Santiago.

Glosário:

Jars quer dizer, por tanto, um ser, qualquer que seja a natureza, e um ser que passa, que viaja e que, tradicionalmente, toma por estes passos; caminho de peregrinaçóes, em certo sentido, mas máo um caminho de palmípedos animais, os quais, ademais, viajam voando.
 

Enviado por Acácio da Paz
 
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