Albergue de Peregrinos
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Desde Compostela, com amor - As cifras cantam
Acácio da Paz

Texto original: de Antón Pombo
Enviado por: Acacio da Paz (texto traduzido autorizado pelo autor)

Nesta data post-veraneo, sem sair da catedral temos suficientes notícias para encher a coluna: modernização de confessionários com números ao estilo de supermercados, estabelecimento da missa on-line desde a web da basílica (www.catedraldesantiago.es) com patrocínio de conservas Rianxeira (não é piada não, eu prometo), início da restauração das pinturas murais barrocas da capela maior, aprovação de um ambicioso projeto para fazer o mesmo com o Pórtico da Glória (andaimes chegam, amigos peregrinos e turistas, para ficar por muito tempo), etc.

Outra grande bomba, depois de comprovar a correta navegação dos globos sondas, é que a Xunta por fim aprovou o cobro de 3 € em seus albergues. Considera-se uma quantidade simbólica para manter o serviço, mas a coisa também tem algo de medida dissuasória para acabar com tanta filantropia em “papelão de pedra”, própria do país de Jauja, que somente favorece aos corre-caminhos, bip,bip, dos últimos 100 km, (aqui não tem coiote com seus artículos marca ACME), e aos pícaros de “litera boba” (evolução da sopa boba). Ademais a administração se propõe por uma vez, e sem que sirva de procedência, de fazer cumprir suas próprias leis, e a partir do primeiro dia em que o cobro começar a funcionar ¡ Já não poderá superar a capacidade de cada um dos albergues ¡ Acabaram, pois, as modas niponas ou lata de sardinhas que com tanto carinho e efetividade praticavam, e por não deixar aos pobrinhos peregrinos na rua, hospitaleras-mamáes como nossa querida Mari Paz de Eirexe.

Númerus clausus em elitistas e renovados albergues, e problemas transladado a barracas de camping (se optará pelo modelo de Castilla y Leon das bases de acampadas) e polideportivos, que seguirão sendo gratuitos e aptos para a plebe. Em resumo, que agora para ter plaza nos albergues, estimados bordoneros, terás que madrugar ainda mais, ao menos até que ponham numeritos como nas pescaderias e os confessionários, ou correr mais e mais. Esperamos que o tiro não sai pela culatra, pois de boas intenções estão cheios os cemitérios.

Mas hoje desejamos sobre tudo comentar um resultado histórico que,muitos anos depois que tivessem sido abduzidos pela vorágine publicitária, nos retrocede aos evangélicos tempos, que tempos aqueles!, de D. Elias. Pela primeira vez desde 1989, e no que já levamos de temporada, os peregrinos estrangeiros superaram o número de espanhóis. O fenômeno da peregrinação compostelana, cada vez mais universal, se disparou nas Américas (Canadá.EE.UU..México) e também nos países tão distantes como Sul da África ou, em os antípodas, Austrália e Nova Zelândia. Estamos também a ponto de ultrapassar, em um ano não santo ( isto não quer dizer que seja de pecados, mas claro está), a mística barreira dos 100.000 peregrinos, e não precisamente filhos de San Luís. Por citar outro dado, e a não ser no mês de Junho por aquilo do mundial de futebol, os italianos se consolidam sendo o segundo das estatísticas e com um forte crescimento.

As cifras cantam amigos: o Caminho, se alguém ainda não se deu conta, já não mais começa nos Pirineos.
Enviado por Acácio da Paz
 
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