Albergue de Peregrinos
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Catedrales en el deserto - A Ruta Jacobea e suas Instituições
Acácio da Paz

Com a expansão do Caminho de Santiago e a sua massificação podemos dizer que também na parte arquitetônica estão começando a ser criadas as verdadeiras catedrais. Estas catedrais por sua vez, são albergues, casas rurais, alojamentos, hotéis, ou qq nome que possam dar aquilo que faça o peregrino chegar a seu local atrativo.

Assim começamos esta nova era, esta nova visão, e este novo Caminho. As catedrais dia a dia são maiores e os atrativos turísticos levam a crer que mais turistas vão poder caminhar por este lugar sagrado misturando-se entre peregrinos e caminhantes, levando-os a um mesmo lugar que é a casa do apóstolo Santiago. Não sabemos dizer o que poderá surgir até o próximo ano Jacobeo em 2010. Muitas inversões e subvenções por toda a rota e todos os caminhos que levam a Santiago. De Norte a Sul surgem várias confrarias, associações, guias, web pages, etc...

Um novo BooM pode-se dizer; virtualmente está sendo invadido e massificado; em nível de desenvolvimento este local está bem diferente desde o último jacobeo em 2004. Este deserto não é mais o mesmo, e os oásis deixaram de ser o lugar sagrado, e toda esta geometria começa a ficar despercebida e perdida aos olhos dos turistas caminhantes que agora começam a fluir pelo que era deserto e agora se pode dizer CIVILIZAÇÁO.

Caminho de Santiago uma linha que levava a um deserto e que agora um deserto cheio de “catedrais” em um sentido que não existe mais, perdendo o verdadeiro espírito peregrino.

Uma restrospectiva:

Com o nascimento do nacionalcatolicismo, se desperta o ressurgimento da ruta Jacobea e no ano Santo Compostelano de 1943 apresenta um aumento considerado de peregrinos que chegaram a Compostela, prelúdio da Grande Peregrinação de 1948, dos “Jovens de ação católica”, alentados por D. Manuel Aparicí Navarro.

A década dos cinqüenta e de fortalecimento da ditadura e alumbramento do turismo, e a simbiose Igreja/Estado, para revitalizar a Ruta Jacobea, fica patente no ano de 1962, procedendo-se quatro fatos que assim o confirmam:

(a) Fraga Iribarne, é nomeado ministro de Informação e Turismo. (naqueles tempos o ministro tinha assessor religioso).

(b)”El Camino de Santiago” foi declarado Conjunto Histórico Artístico, segundo Decreto 2224/1962 do dia 5 de Setembro(B.O.E. do dia 7 de Setembro).

(c) Com dinheiro público, se iniciam as obras de restauração do templo dedicado a Santa Maria la Real del “O Cebreiro” e como reitor, é nomeado o recém ordenado sacerdote(depois de licenciar-se em Direito Canônico pela Universidade Pontifica de Comillas) D. Elias Valina Sampedro.

(d) Nasce a primeira Associação de Amigos do Caminho de Santiago de Estella (Navarra), baixo aos auspícios da deputação foral de Navarra e os Ministérios de obras públicas e Informação e Turismo.

No Boletim Oficial do Estado de 24 de Julho de 1964 pode-se ler: “ O Ministério de Informação e Turismo, na sua função de descobrir novas rutas turísticas em nosso país, há considerado que será muito conveniente, antes do ano 1965 como ano Jacobeo ( em vez de Ano Santo Compostelano; em versão moderna Xacobeo2004), revalorizar a Ruta o Camino de Santiago, que em anos anteriores deu alto porcentagem de turistas em sua condição de peregrinos”.

>>Aqui começava a ressurgir o conceito Caminho de Santiago, com ações que o publicitam como produto, interessando por indução o por iniciativa própria, a historiadores, eruditos, e gente sensível.

Na década dos anos 70, por suas condições políticas, foi de transição e a dos anos 80 de grande expansão, criando-se a maioria das Associações e trabalhando em conjunto com a Xunta de Galícia, dinamizadora e planificadora, com a igreja e as Associações, pondo em prática o Caminho de Santiago.

Em Maio de 1985 teve lugar em Santiago de Compostela uma reunião de pessoas que já estavam atendendo aos peregrinos em suas próprias casas e como elemento da hospitalidade tradicional dos Monastérios e Igrejas. D. Elias Valina foi nomeado coordenador dos meios que havia, e dele nasceram as flechas amarelas e a maioria das Associações.

No mesmo ano 1985 a UNESCO declara a Ruta Jacobea como Patrimônio Universal da Humanidade, sendo presidente Marcelino Oreja e em 1987 o Conselho de Europa a declara Primer Itinerário Cultural Europeo. Culmina com o I Congresso Internacional (Jaca 1987), e o nascimento da Federação Espanhola de Associações dos Amigos do Caminho de Santiago, cujos resultados práticos do congresso foram: a criação da Credencial do Peregrino, as normas de uso dos Albergues, a publicação da Revista Peregrino, sinalização do itinerário, e um largo etc...que convertem a Ruta Jacobea em um caminho vivo e em constante desenvolvimento.

>>Com o processo de integração de países a União Europea, o Caminho de Santiago adquire novo significado histórico. D.Manuel Fraga Iribarne,como presidente da Xunta de Galícia e principal promotor do Caminho de Santiago como ruta turística, planifica e estrutura criando gerencias; a do Xacobeo 93 e a Promoção do Caminho, dependendo do Conselho de Cultura e Turismo.
Em 1987 - Paulo Coelho por sua vez escreve o Diário de Um Mago, dando início assim ao conhecimento desta Ruta no Brasil e sendo também uma das maiores alavancas deste Caminho, para muitos países.

Por parte do Xacobeo93 cria-se a figura do “Pelegrin”, que de mão em mão e da televisão recorreu o mundo durante o ano de 1992. O marketing de promoção do Caminho e sua publicidade facilitam o conhecimento do produto e intensificam o desejo de compra, incrementando assim a ação de venda.
Com o boom do Ano Santo Compostelano de 93 e a massiva influência de peregrinos (7 milhões acudiram a Santiago) a Xunta de Galícia previu e inaugurou a Red permanente de Albergue de Peregrinos, sem legislação específica.

>>Se a década dos 80 foi ressurgir o Caminho de Santiago como lugar de peregrinação, as de 90 foi a massificação, chegando-se a contabilizar mais de 100 países que aportam peregrinos a Santiago no Xacobeo de 93.

A partir de 93, o produto turístico vai afogando o peregrino. Isto determinou deserções pontuais de membros da igreja em relação com a acolhida do peregrino, pois a massificação não permite discernir entre peregrino e correcaminhos com mochila.

No Congresso celebrado em Pistoia-Altopascio, Itália, nos dia 23 ao 25 de Setembro de 1994, na sessão inaugural, D. Manuel Antonio Silva Romero, Diretor General da Promoção do Caminho de Santiago, ofereceu em sua oponência” La promoción del Camino de Santiago em Europa”. O sumario de 18 capítulos é claro em seu conteúdo e ler as 27 páginas (29/56) das atas do Congresso, é uma apologia descarada do turismo. Aclaro que não estamos em contra do turismo e nos alegra a participação da red hoteleira e no aumento do P.I.B na comunidade Galega; estamos em contra da manipulação que fazem do peregrino, que recorre este caminho de fé e busca interior.

>> Com a massificação de Peregrinos/Turistas começam aparecer Albergues e mais Albergues privados. A princípio são bem vistos, por oferecer um serviço de preços módicos em lugares sem nenhuma opção de acolhida. A medida que aumentam peregrinos, vão surgindo novos alojamentos e se inventam fantasmagóricos Prédios Municipais, Casas Rurais,Bares e Instituições Privadas que aproveitam o vazio legal e penduram o cartel de “Albergues de Peregrinos” que confundem mais ainda onde encontrar o verdadeiro espírito do Caminho.

Com a entrada do novo milênio, criou-se uma Red de Albergues privados e com ela surgiram mais conflitos entre conceito de Albergues de Peregrinos já que a verdadeira hospitalidade estava sendo perdida pelos LUGARES que se dizem Albergues de Peregrinos.

PREMISA:

Entre las consecuencias generadas por este fenómeno hay un fuerte aumento de la demanda de alojamiento, servicios e infraestructura en general. La respuesta dada por las Administraciones y por las Diócesis se revela, a pesar de los indiscutibles esfuerzos, cada año más inadecuada e insuficiente.

Para responder a las crecientes exigencias de los que recorren la Sagrada Ruta asistimos a un fuerte incremento de las iniciativas privadas dirigidas a la creación de Albergues para Peregrinos del Camino de Santiago (contamos con más de veinte entidades solo en el denominado Camino Francés).

Al mismo tiempo nos encontramos con una importante falta de normativa en materia y con la necesidad de cooperar con los Ministerios y Departamentos competentes para cubrir este vacío jurisdiccional.

En esta óptica nace y se constituye la Asociación Cultural Internacional RED de ALBERGUES privados del Camino De Santiago” que prima entre sus fines principales la formulación de propuestas para que se cree un marco legal uniforme para los Albergues de la Ruta a Compostela.

Articulo 2º  Fines:

Serán fines de la Asociación:

1)Formulación de propuestas a las diferentes Administraciones para que se cree un marco legal uniforme para los Albergues de Peregrinos de los Caminos de Santiago
2)Defensa los derechos de los Albergues de Peregrinos y especialmente de los Albergues privados
3)Asesoramiento a las personas que quieren crear un Albergue de Peregrinos privado
4)Formación y preparación de hospitaleros voluntarios
5)Formulación de propuestas sobre la ubicación de nuevos Albergues y sus características
6)Fomento de las actividades culturales relacionadas con los Caminos de Santiago
7)Colaboración con Cofradías, Asociaciones y Entidades publicas o privadas de análogo fin

Dentre outras coisas mais sempre existem críticas pelo caminho misturando-se a fantasias como seitas telúricas, templários etc. e até mesmo os seguidores de Paulo Coelho. Que por certo no VI Congresso Internacional de Estúdios Jacobeos celebrado no Hotel de los Reyes Católicos (Santiago de Compostela), do dia 13 aos 16 de Setembro de 2001, o Conselheiro de Cultura de la Xunta de Galicia, em presença de D. Manuel Fraga, deu gracias publicamente ao Paulo Coelho, pela difusão do Caminho de Santiago a nível mundial através de seu livro Diário de um Mago. E por ser um dos maiores incentivadores desta Ruta. Causando assim mais críticas e polêmicas.

>>Com a comercialização da Rota Jacobea e com a mentalidade mesquinha, e atuando “politicamente correto”, as instituições deixam de fazer as suas verdadeiras funções, e não são capazes de legislar sobre os albergues (Hospitales) para os 1,45% de Peregrinos que chegam a Santiago de Compostela de modo tradicional e vivem em seu interior os valores que tem o desvirtuado “Caminho de Santiago“, que não é patrimônio de ninguém. A igreja o manteve nos últimos mil anos, mas atualmente não cumpre o acordado por suas dioceses Obispos del camino na carta pastoral datada em Santiago de 24 de Junho de 1988 e que em seu preâmbulo dizem: “ Corresponde, por tanto, a igreja a responsabilidade pastoral da custodia deste legado”.

Do degradar do Caminho não se salvam as Associações com cargos vitalícios que não se compreendem, mas que não fazem e não deixam fazer e vivem as migalhas que lhes dão as instituições, perdendo sua independência.
Não gostaríamos de esquecer da gente altruísta que trabalha para o bem do Caminho, seja em Associações, bem como hospitaleiros atendendo a peregrinos ou particulares.

Em minha condição de Peregrino e de estar aqui vivendo dia a dia  caminhando o caminho, acumulo fatos do que aqui vejo, e por isso me dói a cegueira das instituições em ver a degradação lenta da Ruta Jacobea.

Consulta : do texto de Octavio Saña da revista IX Jornada.
Acacio da Paz.

 

Enviado por Acácio da Paz
 
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