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O Castelo do Graal - A Segunda Compostela
Por Manfred Schmidt-Brabant

Quando a lenda do Graal se tornou exotérica após 1180, surgiram as quatro grandes obras literárias – a de Boron, a de Chrétien de Tryes, a de Wolfram von Eschenbach e a de Albrecht von Scharfenberg -, por cujo intermédio muita coisa ficou bom mais conhecida do que hoje mal poderíamos supor. Shanrfenberg, que em seu assim chamado “Titurel mais jovem” descreve da maneira a mais exata o castelo do Graal, diz de modo inteiramente lapidar e com a maior naturalidade:

“ Quem esteve na Galícia sabe onde está o Graal”.

Ora, aqui se chega necessariamente à pergunta: em que lugar do norte da Espanha estava situado o castelo do Graal? Não cabe reavivar aqui controvérsias de vinte anos, nas quais interferiram muitos mal-entendidos: pode-se apenas salientar que durante todoa a sua vida, dos anos iniciais até o fim, Rudolf Steiner disse que p Graal atuava a partir do norte da Espanha. Ainda que 1924, numa de suas últimas conferências, consta; “Corrente de Artur – corrente do Graal”. Era da Espanha que atuava o princípio do Graal. “Em 16 de abril de 1921, ele dá a isso uma grandiosa fundamentação”:

Não era por acaso que ele (o Graal) deveria ser encontrado na Espanha, onde realmente era preciso afastar-se para muito longe daquilo que era oferecido pela realidade terrestre, onde tinham de ser rompidas espinhosas sabes para se penetrar no templo espiritual que cercava o Santo Graal.

Só depois de já ter-me deixado por muito tempo conduzir pela vivência da própria região e por toda espécie de material (também da tradição esotérica espanhola) é que vim a conhecer a explicação que Ilona Schubert publicou na segunda edição de suas memórias a respeito de Rudolf Steiner. Este lhe contara que...

... “a iniciação de Parsifal por intermédio de Trevrizent, descrita por Wolfram von Eschenbach, teve lugar na região da Eremitage, em Arlesheim (junto a Dornach, perto da Basiléia, na Suíça. (...) O Dr. Steiner designou toda a região como sendo a região do Graal. Parsifal teria recebido sua iniciação efetiva quando, à procura do castelo do Graal, cavalgara por longo tempo através de maravilhosas paisagens alternadas por florestas, por montanhas, ao longo de lagos silenciosos e rios, onde todo o mundo elemental lhe falava – recebendo, assim, uma espécie de iniciação pela natureza-,até que, amadurecido, chegou ao Rei Amfortas numa sexta-feira da Paixão, para lá tornar-se reio do Graal”

Isto nos lembra algo: se Parsifal partiu de Arlesheim, teve que cavalgar através do portal da Borgonha na direção oeste, sempre mais para oeste, e então teve que deparar com o caminho estelar. Ainda hoje, ao se percorrer o Camino, é como se fosse possível captar algo do primeiro grande Parsifal, é como se o Parsifal oroginal abrisse o Camino por si próprio.
Mais adiante, Rudolf Steiner diz a Ilona Schubert que o Castelo do Graal, onde Titurel e Amfortas guardavam o Graal, estava localizado no norte da Espanha:

Do atual mosteiro San Juan de la Pena, trace uma diagonal avançando para nordeste, em direção à França até Montségur, tanto quanto San Juan de la Pena fica a sudoeste, e a senhora encontrará os dois primeiros castelos do Graal.

Geograficamente esta frase não tem sentido, de modo que resultam diversas possibilidades:

No ponto M está Montségur e no Ponto S.J, está San Juan de la Pena. Tracemos inicialmente uma “diagonal” entre ambos - uma linha. Caso Rudolf Steiner se refira à metade dessa linha, aterriza-se nos três mil metros de altitude dos Pirineus. Caso se refira a um alongamento da linha para o outro lado, chega-se ao sul da França, o que realmente não é o norte da Espanha. Mas caso ele queira dizer “passando de volta por San Juan de la Pena e continuando para sudoeste tanto quanto Montségur se encontra a nordeste”, chega-se à região que na Espanha foi desde sempre denominada a região do Graal: a assim chamada Sierra de la Demanda (S.D.). Trata-se de uma região montanhosa, agreste, erma num círculo de trinta milhas (apenas nos últimos anos, em virtude da grande quantidade de neve no inverno, foram construídos teleféricos e coisas semelhantes). É uma região que ainda hoje nos leva a imaginar como poderia ter vivido ali a essência do Graal – lá ainda também existem, em parte, fragmentos de construções.

Esta Sierra de la Demanda se encontra nas proximidades de um local peculiar. Ao norte, não muito distante, encontra-se uma estação do Camino – uma cidade estranha, bem pequena: San Domingo de la Calzada (um santo do caminho). Ela possui uma antiga capela, um mosteiro (transformado em hotel), casas pequenas, ruas estreitas – nada que chame a atenção -, e apesar disso esse pequeno lugar- sendo que há outros muito, muito maiores: Leon e Burgos, além de magníficas cidades – era denominado Compostela de la Rioja.

A pessoa se pergunta: “Por que esta região deve ser uma segunda Compostela “? – até fazer uma experiência digna de nota: passa pelo lugarejo, vai até a velha igreja românica,e,subitamente, um galo canta na igreja. Na parede da igreja está embutida uma espécie de gaiola, onde se encontram um, dois galos, e a pessoa recordam que o cantar do galo era um antigo símbolo, ou melhor, uma vivência espiritual oculta. Quem ouvia o galo cantar dentro de si sabia; é hora de despertar.

Alguns dos peregrinos do Camino que chegavam a Compostela recebiam ali seus ensinamentos de mistérios, faziam a caminhada até o oceano e depois voltavam, recebendo a indicação: “Ao voltares, presta atenção: presenciarás algo. Então desvia e encontrarás o Graal.” A palavra ‘Graal’, naturalmente, só mais tarde foi relacionada com isso.

A ciência do Graal

Rudolf Steiner escreve em 1909-1910:
Pode-se chamar simbolicamente de conhecimento do Graal a ‘sabedoria oculta’. Aos iniciados modernos também se pode dar o nome de iniciados do Graal. É à ciência do Graal que conduz o caminho para os mundos supra-sensíveis, cujas primeiras etapas são descritas no livro A Ciência Oculta de Rudolf Steiner. A sabedoria oculta do Graal se manifestará e, como uma força interior, impregnará progressivamente todas as manifestações vitais dos homens.

Enviado por Acácio da Paz
 
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