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Capelas funerarias dos Templos em Navarra
Texto: Jesús Ávila Granados
Adaptação: Acacio da Paz

Enterrar a seus cavalheiros com o rosto de volta para baixo era tradicional na Ordem do Temple. Com eles se procurava um mais estreito contato do fundo coma Máe Tera, porque era o mais além, ao transpassar os limites de sua existência mundana, donde se encontrariam para render contas ao Altíssimo. Comelees, náo somente se rendia uma justa homenagem a Máe Terra, se náo que se fazia aptente a proclama cristiana de Pulvus eris et in pulvis reverteris, segum a expressáo original Terra eres e em terra volverás.

Deste modo, os templarios a ordem mais esotérica que já se conheceu no mundo medieval, tanto do oriente como do ocidente, recuperaram para a figura da Máe um papel importante que, com o patriarcalismo hebreo adotado pelo cristianismo,a Virgem Maria havia-se perdido. A Máe estava relacionada com a terra e com a fertilidade, engenhadoras, ambas, de vida. Assim pois, para os templários, enterrar o difunto com o rosto de volta para baixo era uma expressáo de um regresso a sacralidade primitiva.

Esta é, pelo tanto, outra das ancestrais tradiçóes que o cristianismo, de corte machista, havia arrinconado, mas que os templários souberam recuperar muito bem.

Em a igreja paroquial de Castromembibre ( Valladolid ), dedicada a Nossa Senhora del Temple, se pode ver a santa Ana, a máe da Máe, em um reconhecimento religioso que se remonta a vários séculos antes que a igreja de Roma instaurara o culto cristiano a santa Ana.

Os Santos Templários

Os cavalheiros templários, incluso depois de mortos, seguiram mantendo boa parte de sua auréola de mistério. O fervor popular que na maioria dos territórios hispanos dominava a sociedade medieval se fez evidente quando, em numerosos casos; muitos de seus freis ao transpassar ao mundo do mais além, foram objeto das mais insólitas veneraçóes.

Alguns destes casos tem nome próprio, como foi San Duran (Durando , o único santo que foi cavalheiro templário, vinculado com a cidade de Puigcerdá (Girona); frei Juan Pérez, que se encontrou enterrado em Villalcázar de Sirga (Palencia), o frei Bertrán Aymerich, primeiro comendador de Horta de Sant Joan (Tarragona).

Mas, a grande maioria, foram cavalheiros anônimos, e a fé popular os mantem nesse fervor em lugares táo dispares com as tumbas rupestres da necróples medieval de Malamoneda ( Toledo ), Miño de Medinaceli, Romanillos de Medinaceli e Caracena ( Soria ), Monzón ( Huesca ), Betanzos ( Astúrias ), etc; enclaves, todos esses, templários, aos que nos dedicaremos em outros trabalhos. Mas agora prossequiremos com o tema central que nos ocupa, que tem como centro neurálgico a Comunidade Foral de Navarra.

Centros de Energia

Também as construçóes funerárias formaram parte do microcosmo esotérico del Temple; muitas das igrejas, de reduzidas dimensóes, salpicam o Caminho de Santiago. A mais conhecida estáo, sem dúvida, em Navarra. Se trata dos significativos exemplo de Eunate, e Torres del Rio; templos, ambos, concebidos em planta octogonal.

Eunate (que em euskera significa cien arcos e em latin o bien nacido) concentra infinidade de elementos que sobrepassam os limites do conhecido, em donde os templários concentraram boa parte de sua sabedoria gnóstica; mientras que a igreja del Santo Sepulcro, de Torres del Rio, é a culminaçáo espacial do octógno perfeito, cula cúpula evoca a Oriente. Mas falemos de cada uma destas singulares construçóes.

Santa Maria de Eunate

Eunate náo é um templo planificado como a grande maioria das igrejas cristianas, donde o ábside está orientado ao nascente; em esta capela funerária, sua cabeceira aponta para o meio-dia, em lugar do leste.

Guase todas as igrejas orientais de norte a sul. Em vez de leste a oeste, como há de ser habitual, esteve ou estáo abaixo ao patrocínio de dois santos o mártires, havendo sido edificados sobre os restos de uma antiga construçáo de culto pagáo.

Em Eunate tudo é surpreendente; o conceito de igreja funerária, ademais, se deduz do pequeno torreáo que emerge do setor sudoeste da capela, cuja funçáo seria de tocar a campana de costas, posto que estas podiam ser tocadas desde o interior da igreja, através de uma corda.

Portanto é fácil deduzir que este torreáo poderia ter dado acesso direto a uma lanterna funerária. Cabe recordar que este tipo de construçáo, maioritariamente em forma cilíndrica e altivas como obeliscos, sáo de inspiraçáo celta, e que em França abundam na regiáo de Poitou. Em España, se conserva uma caso muito particular na populaçáo catalana de El Catlar ( Tarragona ), que ademais, se encontra isenta. Dentro destas colunas de pedra cilíndricas quando se havia produzido um falecimento na comunidade; e no caso de Eunate, muito bem pderia haver desempenhado este torreáo uma funçáo de torre de transmissáo de mensagens, e neste caso, de avisos aos povos da zona sobre um falecimento de um membro da comunidade.

Chama poderosamente a atençáo a estranha disposiçáo de Eunate. Se trata da irregularidade manifestada pelo octógono de sua planta, a qual náo obedece a nenhum problema de cimentaçáo, posto que o terreno donde se lavantou a ermita é suficiente plano. Entáo, a que se deve tal irregularidade? Por que náo todos os lados do octógono da planta desta igreja sáo de igual medida?

Juan Garcia Atienza afirma que,se traçássemos uns eichos longitudinais que prolonguem os lados da base do templo, chegaríamos a surpreendentes conclusóes; entre as quais, que estes raios alcançariam lugares de poder táo significativos como Zugarramurdi, a serra de Aralar, a Demanda, o Moncayo, o Monastério de Piedra, o Turbón, Lourdes, etc. Enclaves, todos estes, relacionados com montanhas sagradas, lugares de ancestrais cultos pagáos, vírgens negras e, sobre tudo, enclaves estreitantes vinculados com o Temple.

Rituais Mágicos

Eunate a sido, e segue sendo, um dos lugares de maior atraçáo esotérica da geografia hispana.Numerosos investigadores se interessam pelos mistérios deste lugar. Alguns escritores como Concha Palacios náo duvidou em manifestar: “Eunate, apesar de seu isolamento e solidáo espacial, bem exposta as miradas indiscretas, poderia haver constituido um espaço destinado a danças sagradas.”

Náo seria nada estranho que os magos templarios empregassem alucinógenos em suas cerimônias, e , com ele, um acercamento aos ritos iniciáticos. A direta relaçáo geométrica da prolongaçáo de um dos vértices de Eunate com Zugarramurdi corroboraria esta guestáo.

Enquanto a simbologia, Eunate encerra uma verdadeira riqueza; ademais de numerosos Bafomet, que se alinham em seus canecillos. Em um capitel encontra-se representado um crucificado sem cruz, o que confirmaria o fato de que os templarios náo adoravam a cruz – ao considerá-la o tormento de Cristo, mas sim ao crucificado. Também aparece representada a cruz de oito beatitudes, gravada em uma das lápidas.

Todo o cosmo esóterico que obriga a um estudo em profundidade em esta singular ermita, concebida pelos mestres alarifes medievais do Temple como igreja funerária.

O melhor momento apara admirar sua grandiosidade espacial é, sem dúvida nenhuma, ao entardecer, quando os raios do crepúsculo cobrem de luzes cálidas pedras, simulando um fogo sobrenatural em meio do verde navarro.

A força do oito. Santo Sepulcro

Torres del Río, a escassos 50 Km ao sudoeste de Eunate, é a outra igreja funerária do Caminho de Santiago pela Comunidade de Navarra (Nafarroa).

Sua igreja, a do Santo Sepulcro, constitue a culminaçáo espacial do octógono perfeito. Sua cúpula, em seu traçado interno, evoca a Oriente, e náo seria nada descabelado pensar que, em sua construçáo, houvessem participado alarifes hispano-mulçumanos, devidamente acessorados pelos magos templarios. A igreja de Torres del Río difere com a de Eunate em sua regularidade arquitetônica.O templo está concebido em tres corpos e a ornamentaçáo se vai complicando a medida que cresce sua altura, que seria uma forma de anunciar que estamos nos acercando ao nível superior, ao mundo celestial.Também a numerologia sagrada do Temple volta a recordarmos que estamos ante um adifício de profundas significaçóes esotéricas, como o confirma a relaçáo: 8 (+1) x 3= 27.

A riqueza simbólica desta igreja resulta verdadeiramente surpreendente; ao pé do arco triunfal, a ambos lados da ábside, vemos o princípio dos contrários, o yin-yang.

O cenceito da capela funerária é de todo evidente se analizarmos alguns dos capiteles; o da esquerda do interior do plesbitério, aparece um estranho descendimento, donde vários personagens procedem abaixar da cruz ao corpo já falecido de Cristo; mas,mais que um descendimento,o escultor medieval ha querido transmitir a idéia de desmembramento das extremidades superiores de Jesus. Estamos, por tanto, ante o que se conhece como a operaçáo alquímica da separatio,representada astrologicamente pela constelaçáo de Escorpiáo ( o outono ),identificada com a Teth, novena letra do alfabeto hebreo, que se corresponde com a mítica tau templária. O capitel da coluna oposta volta a levar-nos ao momento da morte de Cristo,com seu sepulcro, que tem a losa(azulejo) superior entreaberta, um sinal de que a alma de Jesus já subiu ao céu-imagem que se repete no portal lateral da catedral de Calahorra(La Rioja). Ao lado da tumba, umas mulheres portam tarros fechados, que sáo matraces, ao tratar-se, sem dúvida, de mulheres relacionadas com a ciência alquímica.

Estas duas igrejas-Santa Maria de Eunate e o Santo Sepulcro de Torres del Río- sáo stupas, templos que serviram de lanternas dos mortos para os peregrinos compostelanos e que, em sua concepçáo octogonal, evocam a mezquita de La Roca, na antiga explanada del Templo- o primeiro Templo de Salomón-, da cidadde de Jerusalém; embriáo gnóstico dos templarios.

Tudo uma viagem iniciática, portanto, que os peregrinos do século XXI devem ter enconta a seu passo por estas grandes etapas do Caminho de Santiago por terras Navarras.
 
Enviado por Acácio da Paz
 
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